sexta-feira, 8 de março de 2013

Qual a culpa das flores?

Dia 8 de março. Enquanto muitas mulheres agradecem o carinho recebido através de flores, chocolates, bilhetes carinhosos, outras reagem dizendo que é um dia de luta contra a histórica desigualdade. Entre os dois grupos nota-se que há uma necessidade extrema de ataque, principalmente entre as "guerreiras" contra as mulheres "submissas", que supostamente se calam o ano inteiro e se acomodam com a homenagem anual.

Em primeiro lugar, nada mais justo do que ouvir a opinião do gênero feminino nesta data, seja ela qual for. Entretanto, não confio em alguém incapaz de ouvir e respeitar a opinião do outro. Caramba, se você realmente se sente indignada pela condição feminina na sociedade e se sente apta para lutar por uma outra realidade, que maravilha! Mas, se você adora receber um poema em homenagem ao Dia Internacional da Mulher e se sente prestigiada, porém não tem vontade de se engajar na luta feminista...? Você é inferior? Claro que não. Você também merece ser ouvida, respeitada e valorizada.

Nem todo mundo é obrigado a agir da mesma forma. Ainda bem que existem pessoas diferentes, que se manifestam livremente. Chego a ter calafrios quando recebo e-mails de homenagem ao Dia Internacional da Mulher em que o "presente" é um desconto em uma compra ou ao ver uma companheira expondo a bunda na propaganda do motel no vidro traseiro - é claro... - do ônibus. Porém, faço questão de frisar: quem sou eu para atacar a loura gostosa que não se incomoda em ganhar o dinheiro no comercial? Quem sou eu para criticar a amiga que aproveitou o dia de hoje para comprar algo na promoção? Não sou ninguém, aliás, não somos ninguém.

Por favor, antes de saírem desprestigiando o outro, enxerguem a si mesmo. Vejam se estão fazendo o que de fato acreditam. Eu, pelo menos, adoraria estar na rua homenageando as 130 operárias que morreram carbonizadas em 1957 nos Estados Unidos, a minha musa Clara Nunes, Rosa de Luxemburgo, Simone de Beavouir, Nina Simone, Elis Regina, Clarice Lispector... e tantas outras, que a sua maneira, me fazem ter um orgulho enorme em ser mulher. Mas não é por isso que vou queimar meus sutiãs, sair desrespeitando as amigas que não têm o mesmo desejo de ir às ruas e nem queimar as flores do jardim. Ser mulher é ser muitas em uma. Tornar-se mulher é acolher o outro, o diferente, embalar e levar no colo. Agora, chega. Vou colocar o girassol no cabelo e lutar pelo que eu acredito.